Dilma, carisma de Diana

Jacob Pinheiro Goldberg analisa a Presidenta Dilma Rousseff

A "Tribuna de Minas" publicou um artigo do Professor Jacob Pinheiro Goldberg sobre o carisma da Presidenta Dilma Rousseff.

Tribuna de Minas - Opinião – Artigo - 04/01/2011

Bello

Jacob Pinheiro Goldberg

Doutor em psicologia e escritor

Sucedendo a Lula, que em artigo na "Folha de São Paulo" classifiquei como o político "mistagogo" - místico e demagogo na tradição de Getúlio e Jânio -, o espaço no simbólico e imaginário para Dilma Rousseff será o kerigma grego da fêmea culta e determinada, Diana a caçadora. A consulta à sua biografia corresponde à destinação histórica.

Alguns anos atrás, a convite do professor Alberto Dutra, apresentei, na Faculdade de Medicina da Universidade de Londres, um seminário sobre o tema "Eva será Deus", estudo que elaborei a respeito da concepção antropomórfica masculina da imagem divina e as repercussões intrapsíquicas dessa realidade na mentalidade social. Exaustivamente, tentei demonstrar a demanda por uma introjeção que possa significativamente alterar o processo das relações entre o poder fálico e o poder virtuoso da feminilidade.

Desde o campo da exploração sexual até o crime da posse machista, somente uma radical alteração de conceito filosófico poderá levar aos limites utópicos do sonho de uma civilização sem discriminações e perversidade.

Vive hoje, o Brasil, um momento singular em que a eleição de Dilma Rousseff marca uma possibilidade que somente o historiador no futuro irá aquilatar.

No livro "O Direito no Divã", antologia organizada por Flávio Goldberg, acompanhando a apresentação do jurista e vice-presidente Michel Temer, contextualiza-se a questão do feminino como eixo central dos jogos jurídicos contemporâneos. A convite da revista "Brasileiros", fiz a análise dos candidatos à presidência, anotando a polarização de Marina Silva e Dilma Rousseff.

O leitor, aliás, poderá acessar no You Tube meu depoimento sobre Marina, feito no dia de sua demissão do Ministério de Lula, em que adivinhei o início de sua caminhada. Pois agora é o cotejo entre essas duas personalidades projetadas de mulher brasileira, a filha de imigrantes, guerrilheira e a mansuetude da cabocla, que me leva a creditar na inflexão profunda da sociedade brasileira que arrebenta diques esclerosados e alça o mito de Diana Caçadora, para um porvir de liderança internacional de uma nação com alteridade modelar de um psiquismo do século XXI.

Lua e não sinhazinha, Dilma tem todos os precedentes, inclusive na luta heróica contra o câncer, para tecer um sonho de "mil e uma noites", ou, como preferia seu escritor Jorge Luiz Borges, "mil noites e mais uma".

Tempo mágico em que as bruxas de Salém não serão queimadas, mas sobre os berços das crianças deverão construir uma nova ordem de irmandade.